Glory Hole
com olhar histérico, a pupila devota tem tremul'as mãos;
e abre as pernas.
peca... arisca, passa o papel de uma só vez, dobrado dez,
e atira ao vaso... sem olhar.
enxuga a xoxota com os olhos inchados; a fé não foi forte o bastante.
chora... testemunha seca, hoje sangra;
duplo pecado.
a situação é ainda pior, humilhante... o banheiro da repartição,
cercada de hieróglifos obscenos e neblina áspera;
pecaminosa.
"prostituta!" ela escuta o grito, claro e ácido
e olha para os lados; nas paredes vê
os desejos de alguém;
"cadela do capeta!" ouviu de novo!
sinistra, suja, obtusa; ela sabe que é verdade.
tocou sua própria buceta e novamente...porem;
já estava seca.
seria a alma da mãe? tanto prometera...
ó, que temível turbilhão de pensamentos lhe atacou.
estava cercada de pintos, perfurad'os
buracos do seu pequeno e privado
compartimento: glória!
sentada no vaso em maníaca
frenesi via as imagens, lia as mensagens,
e escutava as vozes, alucinada.
em um primeiro momento pensou em se
explicar, desculpar-se, estava apertada....
erótica viagem no mural, era ela violentada
por profana sacanagem, uma enxurrada,
surrada de sexo, de outros
na sua pura e crua pele,
cedia e cedia... encharcada.
crente que era, sabia; dessa trilha não tinha de volta a passagem.
gozou como hemorragia, e com a mão rubra e criminosa
respirou finalmente, brisa fria...
era eva.
ps: já que só se fazem de pontos, encontros, serei vírgula, e a cadencia; regula-se - outorgada... a ditadura!
Um comentário:
Cada vez melhor e mais doce.
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