quinta-feira, 3 de março de 2011

Mameluco

quanto tempo faz
que ele não me ama?
nem um momento...
que ele não me esfola?
não importa...

o tempo não tem signo
vivo de lembrança em
dias-noite onde me ocupo
adentro porta em porta

seu suave suspiro
sinto nos ombros
nas noites de bonança
silêncio que me abraça
em feira quarta

não é porto seguro
não é casa, não é cais
é meu anjo escuro
no qual eu me penduro
do calvário que perduro
nas pedras da rotina
de calçadas cafetinas
com coração crucificado
ele caminha ao meu lado
não profana minha cama
nem me procura com propina
sou tua e te aguardo
meu miserável fardo
pelo qual por anos tardo
e aturo minha sina

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